O Cerrado a estação seca e o fogo: entenda essa relação
Os ventos, a baixa umidade e grande quantidade de biomassa seca são condições ideais para a ocorrência de queimadas.
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| Fonte: Caliandra do Cerrado |
Parte desse conhecimento foi transmitida aos agricultores e pecuaristas, porém, ao contrário dos indígenas, seu estilo de vida sedentário não lhes permitia manter o sistema de queima em mosaico, nem esperar alguns anos para voltar a queimar o mesmo local, pois necessitavam maximizar, temporal e espacialmente, os benefícios do fogo. Disso resultou um aumento na frequência e na extensão das áreas queimadas, ocasionando, muitas vezes, a degradação do ambiente, em termos de esgotamento das terras, erosão, exclusão do estrato arbóreo, extermínio de espécies nativas, infestação por espécies ruderais (aqui entendidas como invasoras), dentre outros. As queimadas acidentais também se configuram como um grave problema, elas são causadas por faíscas de fogueiras, bitucas de cigarro ou até mesmo vidro e latas de bebida que são dispensados nas margens das rodovias. Como o fogo iniciado acidentalmente não é monitorado, esse pode se espalhar rapidamente devido a grande ocorrência de ventos e a biomassa seca de gramínea que nesta época está disposta em grandes quantidades, sendo um ótimo combustível para o avanço rápido desse fogo.
O fato é que apesar das adaptações da vegetação e até de certa parcela da fauna à incidência de queimadas, o fogo de ocorrência natural acontece em um ciclo de 6 a 10 anos e de origem antrópica em um ciclo de 2 a 3 anos, esse curto espaço de tempo não permite a recuperação e o ciclo natural do bioma o que acaba gerando ambientes mais abertos e com predominância de gramíneas e a redução de áreas de floresta.
Uma série histórica do Programa de Monitoramento de Queimadas do INPE, com dados de 1998 a 2017, mostram que é justamente durante a estação seca (maio a setembro) que são registrados os maiores índices de focos de calor na região de abrangência do Cerrado, indo contra a tendência natural de ocorrência do fogo que seria no inicio da estação chuvosa (final de outubro), como pode ser observado no gráfico abaixo.
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| Comparativo dos dados do ano corrente com os valores máximos, médios e mínimos de focos de calor para período de 1998 até 13/06/2017. Fonte: INPE. |
O que acontece com a flora e a fauna durante esse período de ocorrência de queimadas?
Como as plantas não podem fugir do fogo, claro, elas são queimadas. Todavia, a flora do cerrado evoluiu junto com as queimadas naturais provocadas pelos raios e assim, ao longo dos milênios, adaptou-se a este fator ambiental natural. Uma semana depois de uma queimada muitas plantas já estão rebrotando com grande vigor. É claro que algumas não suportam as altas temperaturas e morrem. O estrato arbóreo-arbustivo é mais sensível ao fogo que o estrato herbáceo-subarbustivo. Após uma queimada ou queimadas repetidas, algumas árvores e arbustos morrem, abrindo assim a vegetação. Desta forma um cerradão pode paulatinamente transformar-se, com as queimadas sucessivas, em um cerrado "sensu-stricto", um campo cerrado, um campo sujo ou um campo limpo.São insuficientes as pesquisas do efeito do fogo sobre a fauna dos Cerrados. O número de vertebrados de maior porte encontrados mortos logo após as queimadas acidentais parece variar muito. Após o desastroso incêndio do Parque Nacional das Emas de 1988, noticiou-se apenas a morte de uma tamanduá-bandeira junto com seu filhote. Já em outros incêndios a que se submeteu aquele mesmo parque, o número de animais mortos pelo fogo parece ter sido bem maior. A fauna de vertebrados de pequeno e médio porte, muito mais numerosa, refugia-se em buracos existentes no solo, escapando assim ao fogo. O que nos parece certo é que os incêndios, onde o fogo avança fora de qualquer controle, são muito mais danosos para a fauna do que queimadas prescritas, feitas em pequenas áreas e sob um rigoroso controle.
Ressurgindo das cinzas
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| Floração após passagem do fogo. |
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| Alterações fisiológicas após o fogo. |
Candombá - A fênix do Cerrado
Outro exemplo são os candombás, uma Vellozia típica de cerrados rupestres. Após um incêndio ocorrido na Chapada Diamantina que atingiu cerca de 51 mil hectares, um campo com predominância de candombás floriu de forma exuberante, a última florada assim registrada no local havia sido há 17 anos atrás. Isso se deu no ano de 2016, após o incêndio que ocorreu no ano de 2015, alguns já chamavam essa espécie de "fênix do Cerrado" e essa florada veio a confirmar esse fato. Veja a exuberância do campo de candombás na foto abaixo:![]() |
| Fonte: Portal Geo Referência. FOTO: Rui Rezende |
Fontes: INPE, Cerrado - por Leopoldo Coutinho, Portal Brasil, IBAMA, Miranda HS & Sato MN, 2005. Efeitos do fogo na vegetação do Cerrado. In____Cerrado: Ecologia, Biodiversidade e Conservação., Henriques RPB, 2005. Influência da história, solo e fogo na distribuição e dinâmica das fitofisionomias no bioma Cerrado. In:____Cerrado: Ecologia, Biodiversidade e Conservação.





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