Confira o discurso de Greta Thunberg no Debate das mudanças climáticas no Senado Federal hoje

Confira o discurso de Greta Thunberg no Debate das mudanças climáticas no Senado Federal hoje
Greta Thunberg, Climate and Environmental Activist, Sweden speaking in the Averting a Climate Apocalypse at the World Economic Forum Annual Meeting 2020 in Davos-Klosters, Switzerland, 21 January. Congress Centre - Sanada. Copyright by World Economic Forum / Manuel Lopez

Ativista ambiental sueca participará de sessão virtual coordenada pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente da Casa, Jaques Wagner (PT-BA)

A ativista ambiental sueca Greta Thunberg participou de sessão no Senado Federal, na sexta-feira (10), para debater o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em 9 de agosto. A ativista sueca Greta Thunberg, 18, culpou o governo brasileiro nesta sexta-feira (10) pela devastação da Amazônia. Em audiência pública realizada no Senado, ela atribuiu o aumento do desmatamento e das queimadas na região à política ambiental adotada no país.
Retrato fechado de Greta Thunberg de perfil, falando num microfone Greta Thunberg fala em manifestação na Suíça em 17 de janeiro de 2020 - REUTERS/Pierre Albouy/File Photo
  Sem citar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Greta classificou como vergonhosas as atitudes dos líderes do Brasil em relação à natureza e aos povos indígenas. " O Brasil não começou essa crise, mas acrescentou muito combustível nesse incêndio. O Brasil não tem desculpas para não assumir sua responsabilidade. A Amazônia, os pulmões do mundo, agora está no limite e emitindo mais carbono do que consumindo por causa do desmatamento e das queimadas. Isso está acontecendo enquanto nós assistimos, isso está sendo diretamente alimentado pelo governo. O mundo não pode arcar com o custo de perder a Amazônia", disse a jovem. A Amazônia ajuda a regular o clima global, mas a expressão "pulmão do mundo", frequentemente utilizada, não está correta. É fato, porém, que há o desmatamento vem crescendo na região. Em agosto, a Amazônia registrou mais de 28 mil focos de queimadas —o terceiro pior resultado para o período nos últimos 11 anos. Os números, disponibilizados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), só ficaram atrás dos registrados em 2019 e 2020, os dois primeiros anos do governo Bolsonaro.
A ativista defendeu ainda as causas dos povos indígenas e lembrou que muitos estão sendo ameaçados e mortos no Brasil e em outros países. "Esses acontecimentos no Brasil têm colocado em risco essa população e a própria Floresta Amazônica", afirmou. Greta falou por aproximadamente cinco minutos durante sessão promovida pela Comissão de Meio Ambiente para debater o último relatório do IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU).

Confira o discurso completo de Greta Thunberg no Senado Federal Brasileiro:

Pela primeira vez, o estudo quantificou o aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos ligados às mudanças climáticas. A ciência climática já previa nas últimas décadas o aumento de eventos extremos, como tempestades, enchentes, furacões, ciclones, secas prolongadas e ondas de calor. Agora, com modelos computacionais mais modernos, passou a ser possível atribuir o grau de influência das alterações do clima nesses eventos, calculando-se quantas vezes mais frequentes e mais intensos eles se tornam em função do aquecimento global. Para o Brasil, o relatório projeta aumento das chuvas fortes no Centro-Sul, com grandes volumes de água concentrados em até cinco dias de chuva, enquanto o Nordeste e a Amazônia devem sofrer com períodos secos mais prolongados. Num cenário de aquecimento global de 4ºC, o país também deve ver alterações mais marcantes no volume de precipitação anual, que fica mais escasso na região Norte e mais volumoso no Sul e Sudeste. Na região que abrange o Norte, Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste, há estimativas de aumento de secas agrícolas e ecológicas para meados do século, em um cenário de aquecimento global de 2°C. Com a aridez, também se espera o aumento de climas propícios para incêndios, com impactos para os ecossistemas, a saúde humana, a agricultura e a silvicultura. Na Amazônia, o número de dias por ano com temperaturas máximas superiores a 35°C aumentaria em mais de 150 dias até o final do século no cenário de aquecimento global superior a 4°C, enquanto se espera que aumente em menos de 60 dias no cenário de aquecimento limitado a 2°C.​​​ Fonte: Folha

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